O senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou nesta quinta-feira (5) que a vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta semana, deu “novo fôlego” à paz mundial. A declaração foi feita durante o lançamento da Frente Parlamentar pela Paz Mundial, no Senado.

Segundo Paim, a conquista da maioria das vagas no Senado e na Câmara americanos pelo partido, além da eleição de um grande número de governadores, representa um sinal de esperança para quem acredita na democracia, no diálogo e no respeito à vida.

O senador destacou a diversidade dos eleitos nos Estados Unidos. Ele citou 15 mulheres eleitas governadoras, 116 mulheres eleitas deputadas federais, o primeiro senador muçulmano da história do país, a primeira mulher indígena eleita para o Senado americano e o primeiro homem abertamente gay eleito para a mesma Casa. Paim mencionou ainda que quatro brasileiros foram eleitos deputados estaduais e três reeleitos, todos pelo Partido Democrata.

Para o senador, essa diversidade representa uma política de paz. “É a diversidade que constrói a paz; uma diversidade que não divide, que soma e fortalece a democracia”, afirmou. Ele acrescentou que a vitória dos democratas confirma que a democracia não se constrói apenas no interior dos Parlamentos, mas também nas ruas e na mobilização popular.

Objetivo da frente

A Frente Parlamentar pela Paz Mundial tem como objetivo fortalecer a atuação do Senado brasileiro em defesa da paz e estimular o engajamento em ações e políticas que favoreçam a justiça social. O grupo é presidido por Paim e tem como vice-presidente o senador Flávio Arns (PSB-PR).

Na abertura do evento, Paim defendeu a solução pacífica dos conflitos em todos os continentes e declarou que “os senhores da guerra serão derrotados”.

Participações

A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Fátima Nancy Andrighi, que integra o conselho consultivo da frente, afirmou que o lançamento representa “um resgate civilizatório, um manifesto brilhante e vibrante em favor do diálogo”. Ela defendeu o reforço da estrutura de paz com mecanismos de mediação e reconciliação.

O padre Jean Poul Hansen, secretário-executivo de campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), enfatizou a importância do respeito às diferenças. “A paz não pode ser apenas uma palavra no nome de uma frente. Ela precisa orientar todas as escolhas desta Casa”, disse, ressaltando que a contribuição da CNBB se dá com respeito à laicidade do Estado e à liberdade de consciência.

O secretário-executivo da frente, Ulisses Riedel de Rezende, afirmou que a paz mundial depende do reconhecimento da família humana e que tanto a paz quanto as guerras resultam de comportamentos humanos.

O estudante Calebe Fernandes, representante do Distrito Federal no Programa Jovem Senador de 2026, lembrou que mais de 37 mil pessoas foram mortas em conflitos armados no ano passado e que, em 2025, aproximadamente 118 milhões de pessoas foram deslocadas à força por perseguições, conflitos e instabilidade política ou social.

Também participaram do evento o embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais e Políticos do Ministério das Relações Exteriores, que classificou a criação da frente como um passo importante para a mobilização política e social pela paz; a representante do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Luciana Peres; a representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Andrea Bolzon; e a jurista Soraia Mendes.