Cerca de 38% da malha ferroviária brasileira está ociosa, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (5) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O percentual considera trechos sem capacidade de transporte ou totalmente ociosos em 2025, com base em informações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O dado integra o estudo Panorama da Infraestrutura: Principais Demandas da Indústria Brasileira, que reúne informações sobre as condições da infraestrutura nacional e a avaliação de 2.500 empresários industriais.
Segundo a CNI, o Brasil possui atualmente aproximadamente 30 mil quilômetros de ferrovias, dos quais cerca de 12 mil estão sem operação. Na década de 1950, a rede ferroviária nacional chegou a aproximadamente 37 mil quilômetros.
Além dos trechos completamente ociosos, o levantamento identifica outros 8% da malha nacional com utilização de no máximo 10% da capacidade.
Pior avaliação entre os modais
As dificuldades também aparecem na percepção dos empresários industriais: apenas 21% dos entrevistados avaliam positivamente as condições das ferrovias brasileiras, o menor percentual entre os meios de transporte analisados.
As hidrovias aparecem com 27% de aprovação, seguidas pelas rodovias (38%), portos (44%) e aeroportos (64%).
A pesquisa mostra ainda que 98% das indústrias entrevistadas utilizam rodovias para escoar a produção. Entre elas, 45% afirmam que estariam dispostas a transferir pelo menos parte das cargas para outros meios de transporte caso houvesse infraestrutura adequada. A redução dos custos logísticos é a principal motivação, mencionada por 82% desse grupo.
Para o especialista em Infraestrutura da CNI, Ramon Cunha, a recuperação e a modernização da malha ferroviária dependem tanto de investimentos quanto de melhorias regulatórias.

