A vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as midterms, passou a alimentar uma nova preocupação em Wall Street: o risco de uma ofensiva regulatória contra a expansão de data centers e da infraestrutura necessária para a inteligência artificial (IA). A informação é do SBT News, com base em relatórios de bancos e corretoras.

Segundo a reportagem, o receio ganhou força na quinta-feira (5), quando as bolsas de Nova York registraram fortes perdas lideradas por empresas de tecnologia. O Nasdaq caiu 5,52%, o S&P 500 recuou 4,36% e o Dow Jones teve baixa de 3,44%. A Bolsa brasileira fechou em queda de 0,82%.

O movimento veio um dia depois de uma sessão de ganhos: na quarta-feira (4), o Dow Jones subiu 3,03%, o S&P 500 avançou 1,58% e o Nasdaq ganhou 1,44%. No Brasil, o Ibovespa avançou 1,23%, aos 167.563 pontos, interrompendo seis pregões de queda.

Onde o risco é maior

De acordo com o relatório do Goldman Sachs citado pela reportagem, no âmbito federal o resultado eleitoral tem menor probabilidade de alterar as perspectivas para a regulação de data centers e de IA, que ainda dependeria de apoio bipartidário no Senado e de superar eventual veto presidencial.

Nos níveis estadual e municipal, porém, a expectativa é de mudanças mais concretas. O Goldman estima que as vitórias democratas podem levar à adoção de moratórias temporárias para a construção de data centers, afetando aproximadamente 45% da expansão planejada de capacidade desses empreendimentos nos Estados Unidos. Apenas o Texas responde por cerca de 25% desse total.

A reportagem cita a vitória da democrata Gina Hinojosa no governo do Texas, após campanha com propostas para restringir a expansão dos centros de dados. O UBS BB avalia que ela terá controle executivo e administrativo sobre agências estaduais, o que permitiria emitir determinações para suspender ou desacelerar licenciamentos. A transformação dessas restrições em regras permanentes, no entanto, enfrenta o controle republicano do Legislativo estadual.

O Goldman também destaca vitórias democratas nos governos do Texas, da Geórgia e de Michigan, onde novos governadores podem adotar moratórias condicionais. Entre as medidas em discussão estão a eliminação de incentivos fiscais, o endurecimento de exigências ambientais e regras mais rigorosas para consumo de eletricidade e água.

Conta de luz e água no centro do debate

Segundo a reportagem, um dos principais pontos de atrito é a distribuição dos custos da expansão. Os data centers demandam grandes volumes de eletricidade, e há temor de que a ampliação da geração e transmissão para atendê-los seja repassada aos demais consumidores, pressionando as contas de luz de famílias e empresas.

O texto cita o Ratepayer Protection Act, que prevê que reguladores estaduais e concessionárias considerem regras para que grandes consumidores arquem com custos adicionais de geração, transmissão e melhorias na rede. A proposta foi aprovada na Câmara por 417 votos a 3, mas no Senado recebeu 57 votos favoráveis e 43 contrários, abaixo dos 60 necessários.

De acordo com dados citados pelo UBS BB, desde janeiro de 2013 governos locais anunciaram 529 moratórias sobre a construção de data centers, com aceleração em 2026. No momento do relatório, divulgado nesta semana, 415 dessas restrições continuavam em vigor.

Impacto sobre investimentos

A reportagem explica que os data centers são centrais para o ciclo de investimentos em IA, pois abrigam servidores e equipamentos usados para treinar modelos e executar aplicações. Obstáculos em licenciamento e infraestrutura podem atrasar projetos e elevar custos.

A XP Investimentos avalia, segundo o texto, que o impacto das eleições pode ser mais relevante no horizonte mais longo. A corretora afirma que a demanda de 2027 já está em obra e que o risco maior recai sobre 2028. O UBS BB considera que os centros de dados continuarão sendo construídos, embora reconheça atrasos, e que a expansão pode migrar para regiões com maior disponibilidade de energia.

A reportagem ressalva que a queda de Wall Street não pode ser explicada apenas pelo resultado eleitoral: o mercado também demonstra preocupação com o retorno dos investimentos bilionários em IA. Para Marcelo Lima, sócio da Valor Investimentos, a queda de quinta-feira refletiu a combinação dessas duas preocupações. Nesta sexta-feira (6), parte das perdas começava a ser recuperada, com o Nasdaq em alta de cerca de 1,5% pela manhã, puxado por Nvidia, Micron e AMD.