O papa Leão XIV foi internado nesta terça-feira (13/10) no hospital Gemelli, em Roma, para a remoção de um nódulo pulmonar, segundo informações divulgadas pelo Vaticano. A data da cirurgia ainda não foi anunciada.
No domingo (11/10), o pontífice informou a um grupo reunido no Vaticano que os médicos haviam encontrado um nódulo em seu pulmão. De acordo com o que foi divulgado até agora, o nódulo foi detectado em um estágio muito inicial e estava bem localizado, o que sugere que não houve disseminação ou metástase. O tamanho exato do nódulo não foi informado.
Os médicos recomendaram a remoção do nódulo. Não se sabe se ele foi descoberto por acaso, em exames de rotina, ou se o papa foi examinado porque apresentava sintomas.
Compromissos e recuperação
O papa manteve todos os compromissos agendados para a última segunda-feira, quando liderou sete reuniões que já estavam marcadas. No entanto, cancelou os demais compromissos até o próximo dia 20, segundo o Vaticano.
Foi informado que o pontífice precisará de uma semana para se recuperar após a cirurgia. Ele tem programada sua primeira viagem à América Latina desde que foi eleito para liderar a Igreja Católica, com passagens pelo Uruguai, Argentina e Peru entre os dias 6 e 17 de novembro.
O que são nódulos pulmonares
Nódulos pulmonares são geralmente definidos como uma mancha ou lesão branca no pulmão, com formato arredondado ou irregular. Em comparação com o tecido pulmonar circundante preenchido por ar, eles aparecem como manchas brancas ou cinzentas na tomografia computadorizada, ou seja, possuem uma certa densidade.
Eles podem ser causados por infecções antigas, partículas estranhas inaladas que se alojam no pulmão, inflamação, tecido cicatricial ou pelo início de um câncer. Quando maior do que três centímetros, o nódulo é classificado como massa. Quanto mais cresce, maior a probabilidade de obstruir as vias aéreas e comprometer a função pulmonar.
Os sintomas podem começar com dor no peito, falta de ar e chiado, e evoluir para tosse crônica ou expectoração com sangue, fadiga, rouquidão, perda de apetite, perda de peso inexplicada e infecções respiratórias recorrentes, como bronquite ou pneumonia.
Dilema clínico
Um estudo publicado em 2019 aponta que a detecção incidental de nódulos pulmonares em indivíduos assintomáticos é considerada um dilema clínico cada vez mais comum. Parte desse dilema está na dificuldade de fazer biópsias em nódulos pequenos para determinar se são malignos. Ao mesmo tempo, os riscos de um diagnóstico cirúrgico são considerados excessivos em comparação com a prevalência relativamente baixa de malignidade em nódulos pequenos, segundo um artigo de 2017 publicado na revista científica European Respiratory Review.
Muitos, se não a maioria, dos nódulos pulmonares em estágio inicial são benignos. Também é possível ter mais de um nódulo ao mesmo tempo, e todos podem ser benignos.
Indicadores de malignidade
É difícil determinar quando os nódulos pulmonares se transformam em um câncer potencialmente mortal. Um indicador de malignidade é o tamanho: com 2 milímetros ou menos, o risco de câncer é muito baixo, permanecendo assim até que o nódulo atinja em torno de 6 a 7 milímetros. Entre 8 e 10 milímetros, o risco é de 9% a 10%. Acima de 1 centímetro, o risco aumenta para cerca de 15%.
A densidade também é um indicador fundamental. Existem duas categorias principais: nódulos sólidos e subsólidos, estes últimos divididos entre nódulos em vidro fosco e parcialmente sólidos. Segundo um estudo publicado no New England Journal of Medicine, os nódulos subsólidos são menos prevalentes do que os sólidos, mas apresentam maior probabilidade de serem malignos.
Prevalência
Estima-se que radiologistas identifiquem nódulos pulmonares em cerca de 30% das tomografias computadorizadas de tórax. Um estudo holandês publicado em 2023 apontou aumento na detecção, passando de 38% dos exames de imagem em 2008 para 50% em 2019. O mesmo estudo indicou que a proporção de pacientes nos quais foram relatados novos nódulos significativos (≥ 5 mm) aumentou de 9% em 2010 para 17% em 2017. Isso também pode ser resultado do desenvolvimento de tecnologias de imagem mais avançadas e do uso de inteligência artificial para identificar tumores.
Embora a maioria dos nódulos pulmonares seja benigna, o câncer de pulmão tende a começar com uma lesão ou nódulo. Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, da Organização Mundial da Saúde, em 2024 quase 2,65 milhões de pessoas foram diagnosticadas com câncer de pulmão e mais de 1,8 milhão morreram em decorrência da doença.

