Estudantes franceses realizaram nesta terça-feira (13) mais um dia de protestos contra as condições dos prédios escolares, em um movimento que chega à quarta semana e tem envolvido marchas, bloqueios de centenas de escolas e, em alguns casos, confrontos com a polícia.
Segundo a Agência Brasil, os alunos se aglomeraram em frente a várias escolas em Paris e em outras cidades nas primeiras horas da manhã, com cartazes e megafones, entoando slogans. Marchas foram planejadas para o final do dia.
A ativista sueca Greta Thunberg participou de uma manifestação em frente a uma escola de ensino médio em um bairro popular de Paris. Ela esteve no Lycée Paul Eluard, em Saint-Denis, ao norte da capital, uma das escolas onde o movimento ganhou força inicialmente.
"Eles devem saber que, em todo o mundo, estamos acompanhando esses acontecimentos. Estamos inspirados pelos jovens que reivindicam seus direitos básicos", disse Thunberg a repórteres. "Seja a falta de financiamento para as escolas, a crise climática ou as crises de injustiça social... já é hora de os jovens se mobilizarem e reivindicarem esse futuro."
O ministro da Educação, Edouard Geffray, afirmou à Rádio França Internacional que cerca de 200 escolas estavam fechadas, acrescentando que parte dos fechamentos se deve a medidas de segurança, já que algumas unidades ficam no trajeto das marchas planejadas.
Thunberg também criticou a atuação da polícia, classificando-a como um sinal "extremamente violento" de que as autoridades estariam protegendo o status quo e ignorando as demandas dos jovens. A polícia de choque utilizou gás lacrimogêneo e avançou contra manifestantes em vários incidentes, ferindo centenas e prendendo milhares, segundo a Agência Brasil.
O governo suspendeu o uso de granadas de efeito moral na semana passada, depois que um adolescente perdeu a mão. Enquanto políticos de esquerda criticaram a polícia, a candidata presidencial de extrema-direita Marine Le Pen e outros culparam manifestantes violentos e destacaram danos causados às escolas e ferimentos sofridos por funcionários e policiais.
O movimento de protesto contribuiu para aumentar a sensação de incerteza e crise que assola a França, seis meses antes de uma eleição presidencial que pode levar ao primeiro governo de extrema-direita desde a Segunda Guerra Mundial, liderado pela Reunião Nacional, de Le Pen.

