O Brasil reverteu em 19 dias todas as restrições comerciais de abrangência nacional impostas após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina, segundo informou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O resultado foi concluído na sexta-feira (6/11), quando o Uruguai reconheceu a regionalização sanitária e retomou as importações de produtos avícolas das demais unidades da Federação.
Na ocorrência anterior, em 2024, o país levou 74 dias para alcançar o mesmo resultado, conforme a fonte. O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que a diferença entre os prazos representa "confiança, de credibilidade e da capacidade do Brasil de demonstrar que uma ocorrência sanitária localizada não precisa comprometer o comércio de todo o país".
Restrições ficam restritas a Santa Catarina
Com a decisão uruguaia, nenhum parceiro comercial mantém restrições às importações de produtos avícolas provenientes de todo o território nacional, de acordo com o ministério. As limitações agora se restringem a Santa Catarina, estado onde foram registrados os focos.
Nessa configuração, o impacto sobre as exportações brasileiras de produtos avícolas corresponde a aproximadamente 15 mil toneladas por mês, o equivalente a 3% da média mensal exportada pelo Brasil, de cerca de 500 mil toneladas, segundo o Mapa.
China reviu decisão em menos de 24 horas
O novo foco foi registrado em 18 de outubro de 2026, em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC). A China, um dos principais parceiros comerciais do Brasil, reviu sua decisão em menos de 24 horas, conforme a fonte.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais, Augusto Billi, declarou que o reconhecimento da regionalização significa que uma ocorrência em determinado município não representa necessariamente risco para a produção de todo o território. Segundo ele, o trabalho técnico e a interlocução com autoridades estrangeiras permitiram avaliações de risco mais rápidas.
Área de restrição e negociações em curso
O Mapa informou que não autoriza a exportação de produtos provenientes da área de restrição, que abrange os municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Onze países ainda mantêm restrições às importações de produtos avícolas provenientes de Santa Catarina, e a prioridade é avançar nas negociações para delimitar as medidas à área efetivamente afetada, conforme os princípios da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
O resultado é atribuído à atuação coordenada entre a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) e a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), ambas do Mapa, e o Ministério das Relações Exteriores (MRE). A SDA, em conjunto com a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), conduziu a investigação epidemiológica e a contenção dos focos, enquanto SCRI e MRE intensificaram as negociações com autoridades estrangeiras.
O ministério reiterou que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações.

