O Ministério da Saúde coordena neste sábado (7/11) uma mobilização conjunta de vacinação contra o sarampo na região da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. No lado brasileiro, a ação ocorre em Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Atalaia do Norte, no Amazonas, em parceria com o governo local, segundo informou a pasta.

De acordo com o ministério, o objetivo é ampliar a proteção da população diante do avanço da doença nas Américas. As equipes atuarão em unidades de saúde e em locais de grande circulação, como portos, feiras, escolas e estabelecimentos comerciais, além de realizar visitas domiciliares. A mobilização também alcança comunidades indígenas, ribeirinhas e de difícil acesso, com apoio dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) Alto Rio Solimões e Vale do Javari e das Casas de Saúde Indígena (Casai).

O diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, afirmou que a vacinação é fundamental para proteger a população da região de fronteira e evitar a entrada da doença no Brasil. Segundo ele, as ações foram intensificadas nos portos, nas comunidades ribeirinhas e nas áreas indígenas.

Doses e público-alvo

Nos quatro municípios amazonenses, todas as pessoas a partir de 6 meses de idade poderão receber a vacina, independentemente do histórico vacinal. Crianças de 6 a 11 meses e 29 dias recebem a chamada dose zero, que não substitui as doses previstas no calendário de rotina. A partir dos 12 meses, devem seguir o esquema recomendado para a idade.

Para fortalecer a resposta regional, o Ministério da Saúde disponibilizou 500 mil doses da vacina tríplice viral ao Peru, que registra mais de 2 mil casos em 2026 e está entre os países com maior número de notificações nas Américas. O envio está previsto para os próximos dias. A Colômbia confirmou 17 casos neste ano.

Situação no Brasil

O Brasil permanece livre da circulação endêmica do sarampo, condição recuperada em 2024, após perder o reconhecimento em 2019, quando registrou mais de 20 mil casos. Em 2026, foram confirmados 65 casos importados, dos quais 23 no Amazonas, em municípios da faixa de fronteira com o Peru e a Colômbia. A maioria ocorreu em Tabatinga (9) e Benjamin Constant (6), além de Atalaia do Norte (2) e São Paulo de Olivença (4). Outros dois casos foram registrados em Rio Branco, no Acre.

Segundo o ministério, para evitar a reintrodução da circulação do vírus, a pasta mantém busca ativa de casos, vigilância epidemiológica e bloqueio vacinal em áreas prioritárias. Em 2025, a cobertura vacinal no Amazonas chegou a 89,7% para a primeira dose e 76% para a segunda. No mesmo período, os índices nacionais foram de 93,15% e 78,61%, respectivamente.