As ações da Movida (MOVI3) caíram mais de 10% nas primeiras horas do pregão desta terça-feira (13), liderando a ponta negativa da B3, segundo o Money Times. Por volta de 11h (horário de Brasília), o papel recuava 7,81%, a R$ 17,46. Na mínima intradia, a queda chegou a 11,03%, a R$ 16,85.

Na avaliação de analistas ouvidos pela publicação, a queda está ligada à realização de lucros após os números da prévia do terceiro trimestre de 2026 (3T26). As ações acumulam alta de quase 83% desde janeiro e de cerca de 140% nos últimos 30 dias.

“Com a ação acumulando alta de aproximadamente 80% no mês, boa parte da recuperação já parece incorporada aos preços. A queda de hoje sugere realização de lucros, não uma deterioração dos fundamentos, embora o endividamento e o custo financeiro continuem exigindo atenção”, afirmou Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos.

Na mesma linha, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, disse que, mesmo com a melhora expressiva nos lucros, “persistem dúvidas sobre a capacidade de sustentar o crescimento sem comprometer o fluxo de caixa”. Segundo ele, o mercado não questiona apenas o potencial de crescimento dessas empresas, mas principalmente quanto desse crescimento será convertido em valor para o acionista.

Resultados da prévia do 3T26

Na prévia do terceiro trimestre de 2026, a companhia reportou lucro líquido de R$ 152,1 milhões, o maior resultado trimestral dos últimos quatro anos, com alta de 117% em relação ao mesmo período de 2025. O Ebitda foi de R$ 1,8 bilhão, avanço de 21% na base anual. O Ebit superou R$ 1 bilhão pelo segundo trimestre consecutivo, com alta de 27% na comparação anual.

O Itaú BBA destacou que o lucro líquido veio ligeiramente acima do guidance de R$ 130 milhões a R$ 150 milhões e mais do que o dobro dos R$ 70 milhões registrados no mesmo período de 2025. “Os números preliminares reforçam a continuidade do forte ritmo operacional da Movida e criam uma base sólida para 2027 e 2028”, avaliou a equipe de analistas liderada por Daniel Gasparete.

O banco também chamou atenção para a continuidade da forte demanda em aluguel de carros (rent-a-car; RAC), que registrou a venda de 20,1 mil veículos no trimestre. Apesar da recomendação de compra, o Itaú BBA tem preço-alvo de R$ 15 para MOVI3 em dezembro deste ano, o que implica potencial de desvalorização de 20,8% sobre o fechamento da última sexta-feira (9).

Os analistas afirmaram que, embora as tendências operacionais, especialmente o forte desempenho da divisão RAC, possam proporcionar revisões adicionais para cima nas estimativas ao longo dos próximos trimestres, os investidores estão cada vez mais concentrados no potencial benefício para o lucro líquido de uma trajetória da Selic abaixo do esperado. Nas contas do banco, cada redução de 1 ponto percentual na taxa Selic média elevaria o lucro líquido em aproximadamente 15% em 2027 e 10% em 2028.