O PT e parte da equipe do presidente Lula criticaram o Banco Central após o Copom interromper o ciclo de corte de juros e manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, segundo reportagem do blog de Valdo Cruz, no G1. Integrantes do partido e uma ala do governo afirmam que o comitê se rendeu ao mercado. Entre petistas, há quem defenda que Lula passe a indicar diretores do BC mais alinhados a uma visão de redução dos juros.

O Copom justifica a decisão pelo cenário de incertezas na área fiscal e por pressões sobre a inflação no curto prazo. De acordo com a reportagem, o mercado, em sua maioria, já previa a manutenção da Selic em 13,75% diante de uma inflação em alta e do risco de as contas públicas seguirem no vermelho.

Críticas e defesa de nomes alinhados

O vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias, disse que o BC sucumbiu às pressões do mercado. Segundo ele, se Flávio Bolsonaro vencesse, o mercado previa queda dos juros; se fosse Lula, como foi, a queda seria interrompida — o que, conforme a reportagem, foi formalizado pelo Copom.

O PT chegou a defender nos últimos dias uma proposta do economista André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, que previa queda da Selic para 7,5% ao ano em doze meses. Depois, seria criado um teto para a taxa de juros e para a meta fiscal. A ideia foi criticada por economistas, sob o argumento de que o plano nunca foi testado em nenhum país e representaria risco para o país.

Compromisso fiscal e pronunciamento

Segundo a reportagem, até agora só há promessas de que Lula terá responsabilidade fiscal em seu quarto mandato, mas pouco se sabe sobre o que a equipe econômica proporá para garantir o cumprimento das metas fiscais, que preveem superávit primário de 0,5% do PIB no próximo ano. Lula fará um pronunciamento no próximo domingo prometendo responsabilidade fiscal, mas também garantindo que não haverá cortes em programas sociais e que suas promessas de campanha serão cumpridas. Nas palavras de assessores, não haverá "estelionato eleitoral" no Lula 4.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, está fechando com sua equipe medidas para garantir o cumprimento do centro da meta fiscal a partir do próximo ano. Segundo a reportagem, as propostas devem ser levadas a Lula depois de seu retorno da Turquia, onde participará da reunião da COP 30. Ele viaja em 9 de novembro e retorna em 12 de novembro.

Vagas no Banco Central

Duas vagas de diretoria estão abertas no BC, nas áreas de Política Econômica e Organização do Sistema Financeiro. Em fevereiro, serão abertas mais duas, de Política Monetária e Fiscalização. Dentro do PT, a defesa é que Lula aproveite para indicar diretores mais alinhados a uma política de redução da taxa de juros. Interlocutores do presidente ouvidos pelo blog dizem, porém, que ele não fará isso, pois seria o mesmo que comprar uma crise com os investidores e sinalizar que pretende comandar o Banco Central, que tem autonomia para operar sua política monetária.