A esposa do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, assumiu um papel de destaque na campanha do marido, segundo reportagem do g1. A participação dela foi intensificada após o afastamento da madrasta do candidato, Michelle Bolsonaro, que se envolveu em uma briga pública com Flávio em junho deste ano.

De acordo com a reportagem, Fernanda estrelou vídeos de campanha ao lado de Flávio e ampliou sua presença nas redes sociais. Sua primeira publicação no perfil público do Instagram foi uma mensagem de Natal em dezembro de 2025, logo após a oficialização da pré-candidatura do senador.

Trajetória pessoal e profissional

O casal comprou uma mansão de R$ 5,97 milhões em Brasília, com metade do valor paga à vista e o restante financiado pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo a reportagem, o financiamento foi quitado em três anos. Fernanda montou um consultório em uma clínica no Lago Sul, na capital federal, onde continua atendendo pacientes.

Conforme a equipe de campanha do marido, Fernanda ingressou na Aeronáutica em 2009 como cirurgiã-dentista e atuou como tenente durante oito anos.

Estreia na pré-campanha

A estreia de Fernanda na pré-campanha ocorreu durante a ida do senador à cerimônia de posse do presidente do Chile, José Antonio Kast, em março. A ida foi divulgada pela MiThi, agência do publicitário Thiago Miranda, que negou ao g1 trabalhar na campanha de Flávio, mas afirmou ser próximo ao casal.

Na convenção nacional do PL que confirmou a candidatura do senador, Fernanda discursou e se apresentou como mulher, mãe, cirurgiã-dentista e brasileira, afirmando querer "mudança para esse Brasil". Em outro vídeo de campanha, veiculado em agosto, ela afirmou ter ajudado a "reeducar" o marido e o descreveu como um "Bolsonaro moderado".

Citações em investigações

A reportagem lembra que Fernanda já havia sido citada na vida pública do marido. Em 2020, foi intimada pelo Ministério Público a prestar depoimento sobre suspeitas de participação em suposto esquema de 'rachadinhas' no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A estimativa é que cerca de R$ 2,3 milhões tenham sido desviados. A Justiça do Rio, no entanto, recusou apresentar denúncia contra Flávio.

Fernanda também é citada em investigação da Polícia Federal envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2025, a PF encontrou no celular do ex-presidente um arquivo de 33 páginas com rascunho de pedido de asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei. Os metadados indicavam o usuário "FERNANDA BOLSONARO" como criador e último autor. A PF afirmou ser "possível" que esse usuário estivesse vinculado a Fernanda. A defesa de Bolsonaro disse que ele recebeu a sugestão, mas não aderiu à ideia.

Após a condenação e prisão de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado pelo STF, Fernanda tentou ser designada dentista do sogro. Em agosto de 2026, a defesa pediu autorização para que ele deixasse a prisão domiciliar para uma consulta odontológica, indicando Fernanda para o atendimento. O ex-presidente foi atendido no Centro Odontológico da Polícia Militar do Distrito Federal, e o pedido para que o procedimento fosse realizado no consultório de Fernanda foi negado.