O senador Paulo Paim (PT-RS) lançou nesta quinta-feira (5) a Frente Parlamentar pela Paz Mundial, grupo que ele preside e que tem como vice-presidente o senador Flávio Arns (PSB-PR). No evento de abertura, Paim afirmou que a vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta semana, deu “novo fôlego” à paz mundial.
Segundo o senador, o partido conquistou a maioria das vagas no Senado e na Câmara dos EUA, além de eleger um grande número de governadores. Para Paim, o resultado representa um sinal de esperança para quem acredita na democracia, no diálogo e no respeito à vida.
Objetivo da frente
De acordo com a Agência Senado, a frente parlamentar tem o objetivo de fortalecer a atuação do Senado brasileiro em defesa da paz e estimular o engajamento em ações e políticas que favoreçam a justiça social.
Paim defendeu a solução pacífica de conflitos em todos os continentes e declarou que “os senhores da guerra serão derrotados”. Ele citou a eleição, nos EUA, de 15 mulheres governadoras, 116 deputadas federais e 23 senadoras, além do primeiro senador muçulmano, da primeira mulher indígena eleita para o Senado americano e do primeiro homem abertamente gay eleito para o Senado do país. Segundo o senador, quatro brasileiros foram eleitos deputados estaduais e três reeleitos, todos pelo Partido Democrata.
Para Paim, essa diversidade representa uma política de paz, porque “é a diversidade que constrói a paz”. Ele acrescentou que a vitória democrata confirma que a democracia não se constrói apenas dentro dos Parlamentos.
Participações no evento
A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Fátima Nancy Andrighi, que integra o conselho consultivo da frente, afirmou que o lançamento representa “um resgate civilizatório” e defendeu o reforço dos mecanismos de mediação e reconciliação.
O padre Jean Poul Hansen, secretário-executivo de campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), disse que a paz precisa orientar as escolhas da Casa e que a contribuição religiosa deve respeitar a laicidade do Estado, a liberdade de consciência e a pluralidade do povo brasileiro.
O secretário-executivo da frente, Ulisses Riedel de Rezende, afirmou que a paz mundial depende do reconhecimento da família humana e que guerras resultam de comportamentos humanos.
O estudante Calebe Fernandes, representante do Distrito Federal no Programa Jovem Senador de 2026, citou que mais de 37 mil pessoas foram mortas em conflitos armados no ano passado e que, em 2025, cerca de 118 milhões foram deslocadas à força por perseguições, conflitos e instabilidade política ou social.
Também participaram o embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais e Políticos do Ministério das Relações Exteriores, que classificou a criação da frente como passo importante para a mobilização política e social pela paz; a representante do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Luciana Peres; a representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Andrea Bolzon; e a jurista Soraia Mendes.

