A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), órgão do Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos responsável por administrar os imóveis do governo federal, suspendeu os registros de quatro imóveis do advogado Willer Tomaz na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). A informação foi publicada pelo G1.

Um dos imóveis atingidos pela medida é o que foi reivindicado pelo jogador de futebol Richarlison. Willer Tomaz é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) junto com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suspeitas de lavagem de dinheiro.

Segundo a SPU, a suspensão atende a uma representação administrativa da deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP). O órgão afirmou que a medida tem caráter temporário e "visa restringir eventuais transferências de posse dos imóveis da União nos quais as edificações foram construídas".

Irregularidades apuradas

A SPU apura irregularidades no processo que autorizou Willer Tomaz a ocupar o terreno na Ilha Comprida. Um dos pontos citados é o registro de que a autorização para a transferência dos direitos ao advogado foi emitida sem verificação de regularidade quanto às obrigações do ocupante perante a União.

De acordo com o órgão, a solicitação para ocupação teria sido feita às 11h33 do dia 11 de julho de 2022 e autorizada às 13h13 do mesmo dia, menos de duas horas depois.

Disputa com Richarlison

A disputa pela propriedade começou em 2020, quando Richarlison afirma ter investido R$ 10 milhões na compra da mansão por meio de uma empresa da qual é sócio. Segundo o jogador, Flávio Bolsonaro demonstrou interesse na propriedade, mas ele se recusou a vendê-la.

O atacante acusa o senador de ter se aliado ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, para tirar dele os direitos sobre o imóvel. Flávio Bolsonaro nega envolvimento na disputa, embora tenha visitado a propriedade e sido incluído como testemunha no processo judicial sobre a posse da casa.

Willer Tomaz afirma que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação da ilha e de um imóvel no local. Em nota enviada ao G1, o advogado disse que Richarlison negociou com posseiros que não eram os legítimos proprietários e sustentou que a empresa ligada ao jogador sofreu derrotas na Justiça, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Outros imóveis

O G1 mostrou que o advogado tem outras cinco casas em ilhas de Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, além da que virou alvo da disputa com o jogador. Com exceção de uma, as casas foram compradas entre 2021 e 2022, na mesma época em que Flávio apresentou ao Senado Federal um projeto de lei para estimular empreendimentos em Angra, permitindo a municipalização das unidades de conservação federais e estaduais.

No mesmo período, Flávio foi relator da PEC das Praias no Senado, texto que propõe permitir a privatização das ilhas marítimas do país, hoje pertencentes à União. Os dois projetos continuam em tramitação.

Os dados sobre os imóveis são de um levantamento feito nos sistemas da SPU e em registros de cartório. Tomaz é dono também de cotas de uma sexta casa em Angra, na Ilha do Jorge, registrada em nome da empresa Real Estate Duo 4, pertencente ao grupo Prime You.