O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, manteve nesta quinta-feira (5) a prisão de Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre os pedidos de liberdade de vários investigados no caso Master, segundo informou o G1.
Entre os pedidos que serão analisados pela PGR estão os de Daniel Vorcaro, seu pai, Henrique Vorcaro, e seu primo, Felipe Vorcaro. No último dia 28, o ex-banqueiro e outras 14 pessoas foram indiciados no inquérito que apura esquemas relacionados ao Banco Master e ao Banco de Brasília (BRB).
Medidas cautelares e saúde de Henrique Vorcaro
Fachin também solicitou que a PGR avalie a manutenção de medidas cautelares contra Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, e Ana Claudia Queiroz de Paiva, sócia de uma das empresas que teria operado transferências financeiras destinadas a sustentar pagamentos e atividades do grupo, conforme a reportagem.
O ministro manteve ainda o uso de tornozeleira eletrônica por Leonardo Augusto Furtado Palhares, sócio de uma empresa ligada a Vorcaro.
Fachin deu prazo de três dias para que o Complexo Penitenciário Nelson Hungria preste informações sobre o estado de saúde e a assistência prestada a Henrique Vorcaro. A unidade deve informar sobre a disponibilização dos medicamentos prescritos e as providências adotadas para a realização de exames e tratamentos indicados pelos profissionais de saúde. Após receber as informações, o ministro vai ouvir a PGR.
Henrique Vorcaro foi preso em 14 de maio de 2026, sob suspeita de integrar o suposto núcleo de coerção e intimidação ligado às investigações do caso Master, e está detido há mais de 170 dias. A defesa anexou ao pedido um relatório médico emitido em 28 de outubro de 2026, que aponta episódios recorrentes de diverticulite aguda, com registro de internações e crises, além de indicação para cirurgia no cólon. Os advogados sustentam que o quadro clínico se encaixa nas hipóteses legais de conversão da prisão preventiva em domiciliar.
Depoimento de Zettel
A Polícia Federal tomou o depoimento de Fabiano Zettel na tarde desta quinta-feira, por videoconferência, em desdobramento das investigações sobre o grupo chamado "a turma", apontado como um núcleo de contrainteligência, vigilância clandestina e intimidação a serviço do banqueiro e de seu pai. O depoimento durou cerca de 50 minutos; Zettel disse que fazia pagamentos sem questionar e reclamou com investigadores que estava preso há nove meses, segundo o G1.
Zettel foi preso tentando embarcar para Dubai, em um avião particular.
Análise de pedidos na Presidência
Fachin assumiu a análise de pedidos urgentes relacionados às investigações da Operação Compliance Zero. Desde 12 de setembro, em meio a uma crise institucional no Supremo, os casos centrais do Master foram enviados à Presidência e acabaram paralisados. Na semana passada, após parecer da PGR, o ministro fixou que anularia os pedidos apresentados pelas defesas e pela Polícia Federal, como prorrogação. Nesta quinta, afirmou que avaliou os casos que já tinham manifestação da Procuradoria, como o pedido de revogação da prisão de Zettel, apontado como operador financeiro do banqueiro.

