A transmissora ISA Energia (ISAE4) registrou lucro líquido de R$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre, mais de três vezes o valor apurado um ano antes, segundo balanço divulgado nesta terça-feira. O resultado foi impulsionado pela contabilização de um descruzamento de participações societárias acertado com a Axia Energia (AXIA3), conforme a empresa.
Excluindo esse efeito extraordinário, o lucro líquido pró-forma da companhia cresceu 14%, para R$ 625 milhões.
Resultado operacional
O lucro operacional medido pelo Ebitda atingiu R$ 3,19 bilhões no período, alta de 259% no comparativo anual. O indicador pró-forma aumentou 41%, para R$ 1,25 bilhão.
De acordo com o CEO, Rui Chammas, os números recorrentes do trimestre foram positivamente impactados pela entrada em operação de novos projetos de linhas e subestações de energia e pela consolidação de um novo grande ativo, além do reajuste tarifário e de controle de custos.
Endividamento e investimentos
A transmissora encerrou setembro com dívida líquida de R$ 17 bilhões, aumento de 20% frente ao encerramento de 2025, enquanto executa grandes investimentos para construção de novos ativos. O índice de alavancagem, no entanto, caiu de 3,63 vezes para 3,5 vezes no mesmo período, já refletindo ingressos maiores de receita.
“A dívida dos projetos aparece antes. Primeiro vem a dívida, depois vem a energização. Então, conforme as energizações vão vindo, você materializa aquilo que as pessoas esperam, o crescimento da receita, o crescimento do lucro líquido”, disse Chammas.
A diretora financeira Silvia Wada classificou o endividamento da companhia como “confortável”, observando que boa parte da dívida está atrelada ao IPCA, índice que também corrige a receita, o que confere um “head natural” às operações.
A ISA Energia segue ampliando a carteira de reforços e melhorias em sua rede existente de transmissão. Esses projetos, autorizados pela reguladora Aneel e que geram receitas adicionais, somam hoje R$ 7,6 bilhões em investimentos previstos para execução nos próximos anos.
Leilões e baterias
Sobre leilões, a ISA identificou oportunidades “interessantes” na próxima licitação de lotes de transmissão, no início de 2027, mas ainda não tomou decisão sobre entrar efetivamente na disputa pelos projetos, disse o CEO. A participação no certame de baterias — segmento no qual a ISA já tem experiência, sendo responsável pela operação do primeiro sistema de grande escala no Brasil — também segue em estudo.
Segundo a diretora financeira, a ISA não concorda com o entendimento da Aneel de que as transmissoras podem participar do leilão, mas deverão seguir condições de seus contratos de concessão, o que implicaria reverter parte das receitas obtidas com a nova atividade para modicidade tarifária.
“Colocando modicidade tarifária, você está praticamente inviabilizando… É até contrário à busca de modicidade, porque você estaria diminuindo a competição. Mas a gente tem outro entendimento e deve trabalhar nesse tema”, disse Wada.

