O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou que uma eventual redução da Selic no curto prazo não garante crédito mais barato para empresas e consumidores. Em conversa com jornalistas, o executivo disse que forçar a queda dos juros pode ter efeito contrário sobre o financiamento de longo prazo.
“O risco que a gente corre é imaginar que a queda de juros de curto prazo pode ser feita na força bruta. O efeito que isso gera na sequência é que a curva de juros de longo prazo, onde todas as empresas e pessoas físicas se financiam, vai aumentar de forma importante, porque o risco aumentou”, afirmou Maluhy.
Inflação limita espaço para flexibilização
Segundo o CEO, o quadro inflacionário restringe o espaço para uma flexibilização mais rápida da política monetária. A reportagem cita que as projeções de mercado para 2026 se aproximam de 6%, patamar distante do centro da meta perseguida pelo Banco Central.
Entre os fatores que pressionam os preços, Maluhy mencionou a alta dos combustíveis, a desvalorização do real, os efeitos da reforma tributária e possíveis mudanças na jornada de trabalho. Nesse ambiente, a expectativa apresentada é de juros em níveis restritivos por um período prolongado.
Na avaliação do executivo, a redução sustentável do custo do dinheiro depende de uma melhora mais ampla das condições econômicas, com avanços em produtividade, crescimento, geração de empregos e renda — fatores que, segundo ele, ajudam a criar condições para juros estruturalmente menores.
Agenda fiscal e grau de investimento
Maluhy também destacou a importância de uma agenda fiscal consistente para reduzir a percepção de risco do Brasil e melhorar as condições de financiamento do país. Questionado sobre especulações a respeito de possíveis mudanças na condução da política fiscal, disse que o mercado aguarda sinais concretos sobre a equipe econômica e as propostas a serem apresentadas pelo governo.
“O mercado não tem partido. O mercado olha para propostas concretas”, afirmou.
Nesse contexto, o CEO defendeu que o Brasil volte a perseguir o grau de investimento, classificação atribuída por agências de risco a países considerados mais seguros para receber investimentos. Segundo ele, a recuperação do selo poderia ampliar o volume de recursos disponíveis ao país e reduzir seu custo de financiamento.
Maluhy ponderou, porém, que o equilíbrio das contas públicas não deve ser tratado de forma dissociada das políticas sociais. “Tão importante quanto o social é o fiscal, e tão importante quanto o fiscal é o social. Os dois programas têm que andar de mãos dadas”, disse.
De acordo com o executivo, a combinação de responsabilidade fiscal e crescimento econômico é importante para melhorar a percepção de risco do país. Sem avanços nessas frentes, a pressão sobre os juros de longo prazo pode persistir, mesmo que a Selic comece a cair.

