A Hapvida (HAPV3) comunicou ao mercado ter recebido correspondência da gestora americana MAK Capital Fund LP sobre a elevação de sua participação acionária na companhia, segundo informações divulgadas pelo Money Times.
Conforme a carta enviada pela gestora, a MAK Capital passou a deter 25.366.000 ações ordinárias da Hapvida, o equivalente a aproximadamente 5,05% das ações da operadora de planos de saúde.
Finalidade declarada
De acordo com o documento, a aquisição tem como finalidade apenas o investimento financeiro. A gestora afirma não ter uma quantidade predeterminada de ações que pretenda adquirir e não ter o objetivo de alterar a composição do controle ou a estrutura corporativa da Hapvida.
A MAK Capital também declarou, segundo a correspondência, que não detém outros valores mobiliários ou instrumentos financeiros derivativos referenciados em ações da companhia e que não é parte de acordo ou contrato que regule o exercício do direito de voto ou a compra e venda de valores mobiliários de emissão da Hapvida.
Contexto da companhia
O comunicado da gestora ocorre em um momento em que a Hapvida se prepara para divulgar os resultados do terceiro trimestre de 2026, previstos para 11 de novembro.
Antes da divulgação, o Citi revisou suas projeções para a operadora, reduzindo o preço-alvo para R$ 10 por ação e cortando as estimativas de lucro para 2026 e 2027 em 5% e 12%, respectivamente, conforme o Money Times.
O banco reconhece fatores que podem sustentar o interesse pelos papéis, que avançaram 40% no período considerado pelo relatório, mas afirma ainda não identificar sinais de recuperação iminente dos fundamentos. A expectativa do Citi é de que os desafios operacionais continuem a pressionar os resultados, com perda de beneficiários, margens menores e queima de caixa.
Segundo o relatório, a companhia reúne características que podem atrair investidores interessados em uma recuperação operacional: elevada alavancagem, baixa exposição nas carteiras e uma reestruturação complexa. O banco destaca que a dívida representa cerca de 65% do valor total da empresa e que uma redução do endividamento poderia ampliar a parcela de valor atribuída aos acionistas.
O Citi também aponta a queda dos juros e dos spreads de crédito como possível impulso, ao aliviar despesas financeiras e favorecer o lucro por ação, além do ambiente macroeconômico e dos avanços na venda de ativos como possíveis catalisadores de curto prazo. Ainda assim, considera limitada a visibilidade sobre a evolução das operações.
Na avaliação do banco, o terceiro trimestre deve repetir boa parte das dificuldades observadas no segundo, com pressão que pode ser intensificada pelo início da reestruturação de uma base de aproximadamente 1 milhão de clientes não rentáveis.

