O Fleury (FLRY3) registrou lucro líquido de R$ 264,3 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 42,9% sobre os R$ 184,9 milhões do mesmo período do ano anterior, segundo relatório de resultados divulgado nesta quinta-feira (5). O número ficou acima da expectativa do mercado: consenso reunido pela Bloomberg apontava lucro líquido de R$ 242 milhões.
O Ebitda avançou 12,2% na comparação anual, para R$ 672,2 milhões, também acima do consenso de R$ 660 milhões para o período de julho a setembro. A margem Ebitda, porém, recuou 0,3 ponto percentual, para 27,1%.
Integração da Femme pressiona margem
Segundo o CFO José Filippo, em entrevista ao Money Times, o recuo da margem se deve à integração da Femme, rede especializada em saúde da mulher. O terceiro trimestre foi o primeiro em que a aquisição passou a integrar efetivamente os resultados operacionais da companhia.
De acordo com o executivo, a Femme contribuiu positivamente para a receita, mas também trouxe custos ligados ao início do processo de integração. Filippo afirmou que as iniciativas de captura de sinergias ainda estão sendo implementadas e que, nesse estágio inicial, é natural haver pressão temporária sobre a rentabilidade. A expectativa da companhia é que a operação alcance a rentabilidade típica de um negócio mais maduro conforme as sinergias sejam capturadas.
A receita líquida cresceu 13,4%, para R$ 2,48 bilhões, acima da expectativa de R$ 2,45 bilhões do consenso.
Consistência e alavancagem
A CEO Jeane Tsutsui destacou ao Money Times a consistência do trimestre e a disciplina na alocação de capital. Segundo ela, a combinação de geração de caixa, gestão financeira e disciplina, apesar das aquisições, explica mais um trimestre de crescimento e a alavancagem de 1,0 vez ao final do período, mesmo diante dos juros elevados.
O retorno sobre o capital investido (ROIC), um dos indicadores mais acompanhados pela companhia, avançou 4,7 pontos percentuais desde a combinação de negócios com o Pardini, para 18,7% no 3T26.
Tsutsui afirmou que o Fleury é uma empresa de 100 anos e já enfrentou diversos momentos de maior e menor crescimento da economia, atuando com crescimento orgânico das marcas existentes, aquisições seletivas e disciplina operacional. Ela disse que a saúde é uma necessidade permanente e que o Brasil passa por mudança demográfica que sustenta a demanda pelo setor.
Aquisições e oncologia no radar
A CEO afirmou que a estratégia não se limita ao resultado do trimestre e inclui visão de médio e longo prazo. Segundo ela, o Fleury mantém em avaliação aquisições que atendam critérios financeiros e façam sentido para a alocação de capital, com foco em ampliar a presença nacional tanto no B2C quanto no modelo Lab-to-Lab, em que processa exames para outros laboratórios.
A companhia destacou a oncologia de precisão como frente de desenvolvimento. Jeane mencionou a estimativa de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil, atribuída ao Instituto Nacional de Câncer (Inca). O Fleury mantém parceria com o Einstein, por meio da Genesis, para desenvolver soluções e trazer novos testes ao mercado, incluindo o Galleri, voltado à detecção precoce de mais de 50 tipos de câncer. A executiva argumentou que o diagnóstico precoce pode contribuir para a sustentabilidade do sistema de saúde ao permitir início mais rápido do tratamento e potencialmente reduzir custos.
Na avaliação de Jeane, o setor de saúde atravessa momento melhor do que há cerca de dois anos, quando enfrentava aumento mais expressivo da sinistralidade dos planos no pós-pandemia. A companhia aposta na continuidade da expansão e na disciplina financeira diante de desafios estruturais como envelhecimento da população, aumento de doenças crônicas, incorporação de novas tecnologias e oscilações macroeconômicas.

