Três empreendimentos brasileiros apoiados pelo Sebrae vão apresentar soluções sustentáveis na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), em Antalya, na Turquia. São eles a Bioassu, do Maranhão; a Plaspop, de Minas Gerais; e a Tekohá, do Pará, segundo informou a Agência Sebrae de Notícias.

Os negócios integram o programa Empreender Clima, que oferece capacitação e assistência técnica a empreendimentos da chamada economia verde. A seleção foi feita pelo Edital de Assistência Técnica Empreender Clima 2026, que previa escolher 20 negócios para receber diagnóstico, mentorias e apoio técnico, contábil, jurídico e comercial. Os três de maior destaque ganharam a oportunidade de apresentar suas iniciativas presencialmente na conferência.

O programa está ligado à plataforma Empreender Clima, lançada durante a COP30, em Belém, por meio de parceria entre o Sebrae, o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) e a Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). A ferramenta reúne cursos gratuitos e orientações para preparação de projetos voltados ao acesso a linhas de financiamento climático.

“O Sebrae trabalha para que os empreendedores brasileiros sejam protagonistas da transição para uma economia mais sustentável. Com o Empreender Clima, oferecemos conhecimento, capacitação e oportunidades para transformar soluções inovadoras em negócios competitivos, capazes de gerar renda, preservar o meio ambiente e conquistar novos mercados”, afirmou o presidente do Sebrae, Décio Lima, conforme a Agência Sebrae.

Bioaditivo a partir do babaçu

Em Coroatá (MA), a Bioassu desenvolveu o ABAX, bioaditivo que, segundo a empresa, reduz o consumo de diesel sem exigir modificações nos motores. A solução utiliza o coco inteiro do babaçu, comprado diretamente de comunidades fornecedoras.

Em testes realizados em 2025, a empresa registrou economia de 920 litros de diesel em um volume de 6.362 litros tratados, o equivalente a 12,6%. Segundo os dados apresentados pela Bioassu, a economia representou aproximadamente 2,48 toneladas de dióxido de carbono equivalente em emissões evitadas, consideradas as premissas dos ensaios.

Desde 2021, a empresa destinou R$ 57,6 mil à compra de cocos, com participação de aproximadamente 55 fornecedores no período. Com o acompanhamento do Empreender Clima, a Bioassu passou a apresentar proposta de financiamento mais detalhada, com metas de produção, capacidade de pagamento e indicadores de impacto ambiental. A empresa busca cerca de R$ 981,2 mil para quadruplicar a capacidade produtiva, de uma para quatro toneladas mensais do bioaditivo em até 12 meses. O investimento é pretendido e não representa financiamento aprovado.

Reciclagem com geração de renda

A Plaspop criou o projeto Estação Circular, com pontos de coleta em que participantes entregam materiais recicláveis e recebem benefícios trocáveis por produtos. Os resíduos são destinados à reciclagem e à transformação em novos itens, como utensílios de uso cotidiano.

Na primeira unidade, a Estação Circular Superluna, em Betim (MG), a operação recebeu 72,4 toneladas de materiais recicláveis entre setembro de 2024 e setembro de 2025, atendeu 1.631 usuários e gerou R$ 161 mil em receita operacional para catadores. No mesmo período, a empresa contabilizou 28 trabalhadores impactados, R$ 56 mil em benefícios aos usuários e estimativa de 117,2 toneladas de dióxido de carbono evitadas.

O modelo já foi levado a outros municípios mineiros, como Belo Horizonte, Sarzedo, Curvelo, Esmeraldas, Mário Campos e Três Marias. A empresa também informa planos de novas instalações em Minas Gerais, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.

Cosméticos da biodiversidade amazônica

De Belém, a Tekohá trabalha com cosméticos regenerativos que usam matérias-primas nativas da Amazônia, técnicas de processamento de ingredientes naturais e embalagens biodegradáveis ou recicláveis. Entre os produtos estão maquiagens multifuncionais e uma linha de cuidados com a pele.

Os resultados apresentados pela marca incluem aproximadamente 35 hectares em manejo regenerativo, capacitação de mais de 60 mulheres, atendimento a quatro comunidades e alcance de 48 famílias. A Tekohá informa ainda pagar 15% acima dos valores de referência adotados em relações de fornecimento.

A empresa já teve reconhecimentos em programas de inovação, como a presença entre os 100 destaques do Prêmio Sebrae Startups 2025 e a participação em iniciativas de aceleração nacionais e internacionais. Para ampliar a atuação comercial, fortalecer a equipe e prospectar mercados externos, apresentou necessidade de investimento de R$ 250 mil, destinada principalmente à exportação, à estruturação administrativa e ao marketing.

Capacitação e acesso a crédito

Segundo a Agência Sebrae, o Empreender Clima disponibiliza cinco cursos gratuitos e on-line, que vão dos fundamentos do empreendedorismo climático a gestão, operação, marketing sustentável, expansão e financiamento verde. A plataforma também oferece ferramenta de pré-enquadramento de projetos ao Fundo Clima Automático, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O pré-enquadramento, ressalva a fonte, não representa aprovação ou garantia de crédito.