O presidente de Israel, Isaac Herzog, oficializou neste domingo (8) a escolha de Gadi Eisenkot, principal adversário do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, para tentar formar um novo governo, segundo a G1. A decisão foi tomada porque a sigla de Eisenkot foi a que obteve mais votos nas eleições realizadas no país em outubro.
De acordo com a reportagem, o pleito deixou os dois políticos sem apoio suficiente para assumir o poder de imediato. Eisenkot terá 28 dias para formar um governo, prazo que Herzog poderá prorrogar por até 14 dias, se necessário.
Endosso de partidos árabes-israelenses
O ex-militar e líder da oposição a Netanyahu recebeu o endosso dos principais partidos árabes-israelenses na última sexta-feira (6). Com a soma, a sigla de oposição passou a contar com o apoio de 67 deputados no Knesset, o parlamento israelense. São necessárias 61 das 120 cadeiras para formar governo.
O apoio, porém, não significa que os partidos árabes farão parte de uma eventual coalizão. Segundo a G1, Eisenkot já afirmou que não pretende incluí-los no governo.
Resultado das eleições de outubro
A eleição realizada em 27 de outubro terminou sem que nenhum dos dois principais blocos conquistasse a maioria necessária para governar. O partido Likud, de Netanyahu, foi o mais votado e conquistou 27 cadeiras. Mas a aliança de partidos de direita e religiosos ligada ao premiê ficou com 53 vagas do parlamento. O bloco de oposição ligado a Eisenkot, líder do partido Yashar, obteve 48.
O resultado também marcou o avanço dos partidos que representam a população árabe de Israel. As duas principais forças do grupo conquistaram juntas 19 cadeiras, um recorde, em meio a uma participação recorde de eleitores árabes, que representam cerca de 21% da população do país.
Perfil do candidato
Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot, de 66 anos, poderá ser o primeiro premiê de Israel integrante da comunidade mizrahi, formada por judeus cujas famílias têm origem no Oriente Médio e no norte da África. Discreto e avesso à exposição na imprensa, entrou na política apenas em 2022.
Ele integrou brevemente o gabinete de guerra de Netanyahu após o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, mas depois voltou à oposição. Como opositor, criticou publicamente a liderança de Netanyahu, incluindo a condução da ofensiva militar na Faixa de Gaza, e prometeu que não participaria de um governo liderado pelo atual primeiro-ministro.
A trajetória política de Eisenkot também é marcada por perdas pessoais: um filho e dois sobrinhos dele morreram em combate na Faixa de Gaza desde 2023. Durante a campanha, destacou sua experiência na área de segurança e citou a chamada "Doutrina Dahiya", estratégia que prevê respostas militares desproporcionais a ataques, empregada quando comandou operações na guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah.
Ele também criticou a violência de colonos israelenses contra palestinos, que aumentou desde 2023, e se opõe aos aliados de extrema direita de Netanyahu, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, alvo de sanções de alguns países ocidentais por declarações consideradas incitação à violência.

