O debate sobre a pena de morte nos Estados Unidos voltou ao centro das atenções após o secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciar que o Exército transmitiria ao vivo a execução por fuzilamento de Nidal Hasan, segundo reportagem do G1. Diante da rejeição pública, o presidente Donald Trump descartou a proposta.

Hasan, ex-psiquiatra militar, foi condenado pelo assassinato de 13 militares desarmados na base de Fort Hood, no Texas, em 2009. A execução seria a primeira do Exército americano por pelotão de fuzilamento desde 1945, conforme a reportagem.

Falhas em execuções

O anúncio ocorreu pouco depois de uma tentativa malsucedida de execução por injeção letal de Christa Pike, condenada pelo assassinato de uma colega de classe. Segundo seus advogados, ela foi levada ao hospital e, dez dias depois, recebeu alta e foi encaminhada à prisão após se recuperar do procedimento.

De acordo com o Centro de Informações sobre a Pena de Morte, organização de pesquisa sem fins lucrativos que não se posiciona sobre a pena capital, houve 64 execuções malsucedidas nos últimos 50 anos, incluindo 51 por injeção letal, de um total de 1.683 execuções. A injeção letal é o método mais comum nos EUA desde que foi introduzida no Texas, em 1982.

Especialistas médicos e pesquisadores que estudam execuções afirmam que todos os métodos usados no país podem provocar dor intensa, especialmente quando realizados de forma inadequada. A Associação Médica Americana afirma que participar de execuções contraria o juramento da categoria.

Métodos alternativos

Diante da preocupação com execuções malsucedidas e do renovado apoio do governo federal à pena de morte, os Estados Unidos passaram a adotar métodos novos e antigos, como pelotões de fuzilamento, cadeira elétrica e câmara de gás.

O médico Joel Zivot, professor de anestesiologia e cirurgia em Atlanta, disse que a injeção letal parecia uma forma mais pacífica de execução, mas que em alguns casos pode provocar edema pulmonar, causando sensação dolorosa de afogamento. Ele também afirmou que pessoas que inalam gás nitrogênio às vezes sofrem convulsões.

Alabama e Louisiana foram os primeiros estados a realizar execuções com gás nitrogênio; Arkansas, Mississippi e Oklahoma também autorizam o método. O Alabama executou sete pessoas com gás nitrogênio desde que adotou o método, em janeiro de 2024.

Até este ano, nove estados haviam autorizado a execução por cadeira elétrica, que é o método padrão na Carolina do Sul. Em julho, Idaho se tornou o primeiro estado americano a adotar o pelotão de fuzilamento como principal método de execução, após problemas com injeções letais. Mississippi, Oklahoma, Utah e Carolina do Sul também autorizam esse método.

Governo federal

Trump, defensor da pena de morte, restabeleceu sua aplicação em âmbito federal ao retornar ao cargo, em 2025, após o governo de Joe Biden impor uma moratória às execuções federais em 2021. Segundo Maher, houve bastante movimentação nas assembleias legislativas estaduais para aprovar e voltar a autorizar outros métodos de execução desde que Trump começou a manifestar seu entusiasmo pela pena de morte.

O presidente pediu a ampliação da aplicação da pena de morte para punir grandes narcotraficantes, traficantes de pessoas e assassinos de policiais. Questionado se a tentativa malsucedida de execução de Pike deveria levar a mudanças na pena de morte, Trump não respondeu diretamente e disse que o método de execução "não deveria ser muito difícil".