O Senado do Paraguai ignorou o pedido de renúncia do presidente Santiago Peña e deu continuidade à abertura de um processo de impeachment contra ele na noite desta quinta-feira (5), segundo o G1. A decisão ocorre em meio a uma crise política provocada pela quebra do banco ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos.
Acusações da oposição
Após o escândalo, a oposição passou a acusar o presidente de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários, entre outras irregularidades. A acusação também aponta que o Banco Central paraguaio teria encoberto problemas na instituição financeira.
Renúncia em vídeo
Mais cedo, Peña apresentou uma carta de renúncia em vídeo. Na gravação, pediu desculpas à população que perdeu o acesso ao próprio dinheiro e afirmou que decidiu deixar o cargo pensando na estabilidade do país.
Segundo Ariel Palacios, comentarista da GloboNews e especialista em América Latina, Peña tentou se proteger de futuras investigações e manter o foro privilegiado ao anunciar a renúncia. Isso porque, pela Constituição paraguaia, os ex-presidentes se tornam senadores vitalícios.
A estratégia, no entanto, foi frustrada depois que a Câmara dos Deputados deu andamento ao processo de impeachment. A Constituição estabelece que o ex-presidente perde o cargo vitalício caso seja submetido a julgamento político e considerado culpado. Além disso, cabe ao Congresso paraguaio aceitar ou rejeitar o pedido de renúncia do presidente e do vice-presidente da República.
Próximos passos
Com a abertura do processo pela Câmara, o caso seguiu para o Senado. Uma sessão extraordinária para votar o impeachment foi iniciada ainda na noite desta quinta-feira. O Senado marcou uma nova sessão para esta sexta-feira (6), às 10h, quando Santiago Peña deverá apresentar a defesa no processo de impeachment.
O presidente terá a oportunidade de contestar as acusações feitas pela Câmara dos Deputados e apresentar provas e argumentos. Depois da defesa, os senadores vão decidir se Peña será condenado e perderá o mandato. Para isso, são necessários pelo menos 30 votos, o equivalente a dois terços dos 45 integrantes do Senado.
Se for condenado, Peña também perderá a condição de senador vitalício. O vice-presidente Pedro Alliana assumirá o comando do país e deverá completar o mandato, que termina em agosto de 2028.
Colaboração com a Justiça
Em carta publicada nesta quinta-feira (5), Peña afirmou que pretende colaborar com a Justiça para esclarecer os fatos e defendeu que os responsáveis por eventuais irregularidades sejam punidos. Ele também disse que os clientes do banco ueno afetados pela crise devem ser ressarcidos, independentemente do futuro político do presidente.

