Os Estados Unidos realizam nesta terça-feira (3) as eleições de meio de mandato, as midterms, que vão definir o controle da Câmara dos Representantes e do Senado pelos próximos dois anos. Diferentemente do Brasil, o país não tem um órgão nacional equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para coordenar o pleito e totalizar os votos, segundo reportagem do G1.
Regras variam por estado
Sem uma autoridade eleitoral central, cada estado americano estabelece suas próprias regras de votação e apuração. Os horários de encerramento também variam: na Flórida, a votação termina às 19h; em Nova York, os eleitores têm até as 21h; no Tennessee, o horário depende do condado.
Em boa parte dos estados, o voto é registrado em cédulas de papel. A contagem é feita por trabalhadores eleitorais, muitas vezes funcionários públicos, e fiscalizada por membros dos partidos políticos. Quando a diferença de votos entre dois candidatos é muito pequena, partidos ou a própria Justiça podem solicitar recontagem.
Resultado pode demorar
Os primeiros resultados devem ser divulgados ainda na noite de terça-feira, mas pode levar dias até que se saiba qual partido controlará a Câmara e o Senado. Nas midterms de 2022, a definição do controle da Câmara ocorreu mais de uma semana após a eleição, em parte porque alguns estados levam mais tempo para contar os votos enviados pelo correio.
Como não há órgão que centralize a apuração em todo o país, esse trabalho costuma ser feito pela imprensa. Há quase 200 anos, a Associated Press é a principal fonte para agregar os dados das votações, segundo o G1.
O que está em jogo
Nas midterms, são renovadas todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço das 100 vagas do Senado. No Senado, cada estado tem direito a duas cadeiras, independentemente do tamanho da população. Na Câmara, as cadeiras são distribuídas conforme a população de cada estado, e cada deputado representa um distrito eleitoral.
O Partido Republicano, do presidente Donald Trump, conquistou a maioria das duas Casas em 2024. Segundo o G1, Trump tem percorrido o país para participar de comícios e busca manter a maioria para continuar tendo apoio no Congresso. Uma derrota em uma ou ambas as Casas poderia dificultar a aprovação de projetos do presidente e abrir espaço para parlamentares barrarem ações do governo e abrirem investigações.
A reportagem cita que Trump prometeu pagar um bônus de até US$ 5 mil para cada adulto americano caso os republicanos vençam as eleições, e que adotou medidas para tentar restringir o voto pelo correio, alegando fraudes no modelo. Dados citados pelo G1 apontam que eleitores democratas são mais propensos a votar pelo correio do que os republicanos.
Cenário das disputas
Pesquisas e projeções citadas pelo G1 indicam que os democratas podem conquistar a maioria do Senado. Atualmente, os republicanos têm 53 cadeiras, enquanto os democratas contam com 47 senadores, incluindo dois independentes que costumam votar com o partido.
Para a Câmara, uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro apontou que 47% dos eleitores disseram pretender votar em um candidato democrata, enquanto 35% afirmaram que pretendem escolher um republicano. Hoje, os republicanos têm 218 cadeiras, os democratas 214, há um deputado independente e duas vagas em aberto.
O G1 também informa que, segundo a imprensa americana, as campanhas arrecadaram mais de US$ 15 bilhões. A reportagem cita ainda que pesquisas apontam desaprovação do presidente em torno de 60% a poucos dias das eleições.

