Eleitores dos Estados Unidos rejeitaram, em 40 dos 41 plebiscitos locais realizados na terça-feira (3) em dez estados, projetos de data centers de grandes empresas de tecnologia, informou a Agência Brasil. Os plebiscitos ocorreram durante as eleições de meio de mandato.
Segundo a reportagem, a consulta tratou da instalação dessas estruturas e do aumento do custo de vida associado a elas. A Agência Brasil relata que a maioria dos plebiscitos partiu de iniciativas populares e que a maior parte propõe restrições ou proibições a data centers com demanda igual ou maior que 25 megawatts, o que indica centros de hiperescala.
Reação do mercado
Conforme a Agência Brasil, as bolsas mundiais operavam em queda nesta sexta-feira (6), entre outros motivos, devido à baixa dos títulos das gigantes da tecnologia. O Nasdaq Composite registrava baixa de 5,5% no dia, de acordo com a reportagem.
A Agência Brasil atribui o movimento ao resultado eleitoral, que, segundo a reportagem, abalou a coalizão política que sustenta o presidente Donald Trump e que tem as big techs entre os principais aliados. O texto também afirma que o partido de Trump perdeu as maiorias na Câmara e no Senado.
Consumo de energia e água
O economista André Roncaglia, diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e professor da Universidade de Brasília (UnB), disse à Agência Brasil que estados com menos regulação para data centers recebiam mais investimentos, o que gerou impactos ambientais, com encarecimento da energia e da água, e mobilizou reação popular.
Segundo a reportagem, candidatos democratas defenderam maior regulação do setor, contrariando a posição de Trump, que rejeita regras que possam inibir investimentos. Roncaglia afirmou que a maioria democrata no Legislativo indicou ao mercado que o ambiente sem regulação para IA e data centers deve mudar.
Pesquisa e plebiscitos
A Agência Brasil cita pesquisa da NBC News com eleitores na boca da urna segundo a qual 57% acreditam que a IA fará mais mal que bem à sociedade e 76% eram contrários à construção de data centers em suas comunidades.
A reportagem informa que os estados americanos programaram 50 plebiscitos sobre o tema em 2026, sendo 41 realizados na terça-feira e três previstos para dezembro. Dos 47 já realizados, apenas um foi favorável ao desenvolvimento de data centers, segundo o texto.
A Agência Brasil cita a organização não governamental Ballotpedia, que sistematiza os resultados, e registra porcentuais de rejeição acima de 60%. Em Ottawa, no Kansas, a proibição de centros que utilizem mais de 25 megawatts venceu com 72% dos votos, conforme a reportagem.
Debate político
O diretor-executivo da Brazil Office Alliance, Paulo Abraão, disse à Agência Brasil que 56% dos eleitores consideraram a IA e os data centers fatores importantes ou decisivos no voto e que o fenômeno atravessa divisões partidárias tradicionais.
A reportagem afirma que existe expectativa de que democratas apresentem projetos para regulamentar a IA. A deputada eleita pelo Arizona Yassmin Ansari defendeu, segundo o texto, uma pausa no desenvolvimento de IA avançada e uma proibição à superinteligência artificial.
A Agência Brasil relata ainda que Trump anunciou, em setembro deste ano, uma agenda de autorregulação, em que as próprias big techs definiriam mecanismos de segurança e controle.

