Parlamentares, assessores do Congresso e ativistas democratas afirmam que o partido planeja apresentar uma série de novos projetos de lei sobre sistemas de inteligência artificial e o desenvolvimento de data centers quando assumir o controle do Congresso dos Estados Unidos em janeiro, segundo relato publicado pelo Money Times.
De acordo com a reportagem, os planos representariam uma mudança em relação ao Congresso liderado pelos republicanos, que segundo a fonte se concentrou em promover o desenvolvimento da IA e se recusou a aprovar leis que restringissem aspectos da tecnologia. O texto cita que eleitores passaram a se voltar contra o rápido desenvolvimento dos data centers e suas grandes necessidades de energia.
O que os democratas pretendem propor
Segundo a reportagem, os democratas planejam projetos para:
- proteger consumidores do aumento dos custos de eletricidade associados aos data centers;
- exigir testes independentes de sistemas avançados de IA;
- esclarecer em que casos as empresas de IA podem ser responsabilizadas por danos causados por seus produtos.
A fonte afirma que qualquer legislação enfrentaria grandes dificuldades enquanto o presidente Donald Trump permanecer na Casa Branca, já que ele tem rejeitado repetidamente apelos para a criação de regras obrigatórias para a tecnologia de IA.
Ainda assim, parlamentares democratas e defensores externos afirmaram que o controle das comissões do Congresso daria ao partido uma plataforma para levar adiante propostas, obrigar líderes do setor a prestar depoimento e angariar apoio para medidas caso os sistemas de IA causem danos no mundo real.
Declarações citadas
O deputado Greg Casar, democrata do Texas e presidente do Congressional Progressive Caucus, afirmou nesta semana que executivos da área de IA deveriam ser convocados a depor sob juramento, segundo a reportagem.
O senador Chuck Schumer, democrata de Nova York que deve se tornar líder da maioria, disse na quinta-feira, em evento em Washington, que proteger os consumidores dos custos mais altos de energia associados à rápida expansão dos data centers estaria entre suas prioridades no próximo ano.
A deputada Lori Trahan, de Massachusetts, planeja propor legislação que exija que especialistas independentes avaliem os principais modelos de IA em relação aos padrões de segurança, disse Francis Grubar, seu vice-chefe de gabinete. Trahan também buscará uma legislação que deixe claro que as empresas podem ser responsabilizadas quando sistemas de IA agirem de forma prejudicial, afirmou ele.
A deputada Zoe Lofgren, democrata da Califórnia que concorre à presidência da Comissão de Ciência da Câmara, afirmou que os democratas se concentrariam no desenvolvimento de “regulamentações responsáveis para a IA, ao mesmo tempo em que promovem a inovação”.
Abdul El-Sayed, democrata de Michigan que conquistou uma cadeira no Senado na terça-feira, defendeu durante sua campanha a criação de uma agência independente para supervisionar a regulamentação da IA, com poderes para fiscalizar as empresas de tecnologia que desenvolvem essa tecnologia.
Impacto sobre empresas e mercado
Segundo a reportagem, restrições do governo federal ao desenvolvimento da IA poderiam prejudicar os lucros do setor se retardassem o lançamento de novos modelos ou levassem as empresas a alterar o funcionamento de suas ferramentas de IA para responder às preocupações de que seus produtos estejam causando danos às pessoas.
A fonte relata que as ações do setor de tecnologia sofreram uma queda drástica na quinta-feira devido às crescentes preocupações de que um novo Congresso retarde o desenvolvimento da IA, mas também por receios de que os enormes gastos de capital com a implantação da IA não gerem retornos suficientes.
Percepção pública e avaliação de analista
A reportagem cita pesquisa da Reuters publicada em outubro segundo a qual a maioria dos eleitores dos EUA acredita que o governo de Trump e o Congresso não estão levando os riscos da IA a sério o suficiente e quer que o governo elabore novas regulamentações para a tecnologia.
Ed Mills, que coordena pesquisas de políticas na Raymond James, disse que uma crise poderia gerar apoio suficiente para superar a oposição presidencial à regulamentação da IA. “A probabilidade de aprovação de uma legislação é muito maior do que as pessoas imaginam”, afirmou ele, conforme a fonte.

