O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu ao longo desta quarta-feira (4) à derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3), segundo reportagem do G1. Os democratas conquistaram o controle das duas Casas do Congresso, a Câmara dos Representantes e o Senado, o que, conforme a reportagem, amplia o poder da oposição para fiscalizar o governo e dificultar a aprovação de propostas da Casa Branca nos dois últimos anos do mandato.

Guerra e combustíveis

Em entrevistas a veículos como The New York Times, The Wall Street Journal, Fox News e CNBC, além de publicações na rede social Truth Social, Trump reconheceu que a guerra contra o Irã teve influência no resultado eleitoral, principalmente por causa da alta dos combustíveis. Ainda assim, defendeu a decisão de iniciar o conflito e afirmou que faria tudo novamente.

Segundo a reportagem, a guerra, iniciada pelos Estados Unidos e por Israel em fevereiro, provocou aumento nos preços dos combustíveis e de outros produtos. Durante a campanha, candidatos democratas responsabilizaram o conflito pela alta do custo de vida. Trump disse que sabia que o conflito poderia prejudicar eleitoralmente seu partido, mas voltou a defender a decisão de atacar o país, argumentando que a operação militar havia impedido o Irã de desenvolver uma arma nuclear.

O vice-presidente J.D. Vance havia atribuído a derrota republicana à guerra e questionado se o custo político do conflito havia valido a pena, conforme o G1. Trump disse compreender a posição do vice.

Veto e negociação

Ainda na terça-feira (3), antes do encerramento da votação, Trump concedeu entrevista por telefone à CBS News na qual afirmou estar preparado para usar seu poder de veto contra propostas democratas. Disse que aceitava ser chamado de "Sr. Veto" e argumentou que o uso repetido do veto poderia levar os democratas a negociar com a Casa Branca.

Em conversa com jornalistas na Casa Branca, por volta das 18h desta quarta, Trump afirmou que provavelmente conseguirá trabalhar com os democratas, mas ressaltou que tem poder de veto sobre as propostas que chegarem à sua mesa. Disse ainda que integrantes do partido adversário já haviam entrado em contato para conversar sobre possíveis acordos. À CNBC, afirmou que poderia colaborar com os democratas em "muitas mais coisas do que as pessoas entendem".

Na entrevista ao New York Times, citou o teto da dívida como um dos assuntos em que poderia haver cooperação.

Críticas à Fox News e a aliados

Durante a apuração, Trump criticou a cobertura da Fox News na Truth Social, chamando um comentarista da emissora de "burro como uma pedra" e afirmando que mudaria de canal. Depois, responsabilizou a emissora pelas derrotas republicanas, citando a participação do ex-prefeito de Nova York Bill de Blasio na programação.

Também criticou o governador do Texas, Greg Abbott, também republicano, afirmando que ele perdeu porque teria abandonado sua posição política original nos últimos seis meses de sua carreira. O presidente disse que pretendia se transformar em uma espécie de comentarista político para analisar os motivos das vitórias e derrotas dos candidatos.

Nome nas urnas e impeachment

Trump afirmou que, se seu nome estivesse nas cédulas, os republicanos teriam vencido com ampla vantagem, e atribuiu a derrota à ausência de sua candidatura, que, segundo ele, teria reduzido a participação de eleitores republicanos. Disse acreditar que o senador Lindsey Graham, que morreu em julho, provavelmente teria vencido a disputa.

Questionado sobre a possibilidade de sofrer um processo de impeachment, afirmou que uma tentativa dos democratas nesse sentido destruiria o próprio Partido Democrata. O presidente também disse não se arrepender de suas decisões nos dois primeiros anos do segundo mandato e classificou o período como o mais bem-sucedido da história de qualquer presidente americano.