A presidência brasileira da COP30 apresentou nesta terça-feira (3/11) dois Mapas do Caminho internacionais voltados à implementação de compromissos climáticos: um sobre a transição para o afastamento dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos e outro para parar e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030.
Segundo a Agência Gov, os documentos tratam de dois vetores da mudança do clima — a energia responde por 75% e a perda florestal por 11% das emissões globais de gases de efeito estufa — e oferecem abordagens práticas para converter acordos internacionais em políticas nacionais, investimentos e resultados mensuráveis. Eles se baseiam no primeiro Balanço Global do Acordo de Paris, adotado por consenso na COP28, em Dubai, em 2023.
Anúncio e elaboração
O anúncio foi feito na plenária de encerramento da COP30, em novembro de 2025, em Belém (PA), conforme a fonte. O embaixador e presidente da COP30, André Corrêa do Lago, assumiu o compromisso de elaborar os dois documentos complementares, que, segundo o texto, são contribuições voluntárias e não prescritivas da presidência, elaboradas por meio de consultas internacionais, e não são objeto de negociação.
Durante a apresentação, Corrêa do Lago afirmou que a presidência brasileira quis transformar compromissos já aprovados internacionalmente em ações concretas. “Se isso já foi aprovado, temos que ter instrumentos e maneiras de acelerar a implementação, porque a mudança do clima está vindo muito mais rápido do que o ritmo das negociações”, declarou.
Combustíveis fósseis
O mapa sobre energia conclui que a transição é urgente, inevitável e possível, e que todo país pode começar a agir independentemente de seu ponto de partida. O documento destaca que a transformação energética global está em curso e que energia renovável, eletrificação e ganhos de eficiência criam oportunidades para fortalecer a segurança energética, reduzir a dependência de mercados internacionais de combustíveis e desenvolver indústrias.
O texto indica que a produção de combustíveis fósseis precisa diminuir junto com a demanda, enquanto sistemas de baixa emissão se expandem o suficiente para manter fornecimento confiável e preços acessíveis. Reduzir a oferta mais rápido que a demanda pode gerar escassez e volatilidade de preços; manter a produção além da demanda futura corre o risco de prolongar a dependência e deixar investimentos subutilizados, segundo o documento.
No centro do mapa está o Índice de Prontidão de Belém, que examina a exposição dos países aos combustíveis fósseis e sua capacidade de conduzir a transição. A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, afirmou que os documentos ajudam os países a identificar dificuldades, reconhecer capacidades e definir medidas concretas. “É um mapa da implementação”, disse.
O mapa propõe três frentes: incentivar países, governos e setores a avaliar circunstâncias e prioridades com o índice; lançar um Mutirão TAFF (transitioning away from fossil fuels), com ações coordenadas até 2033; e manter diálogo e cooperação internacionais para avaliar o progresso.
Desmatamento e financiamento
O mapa sobre florestas identifica oportunidades para acelerar conservação, uso sustentável e restauração por meio de ações nacionais, cooperação internacional e financiamento, abrangendo florestas tropicais, subtropicais, temperadas e boreais, além de turfeiras e manguezais.
Segundo a FAO, o desmatamento anual caiu de 17,6 milhões de hectares entre 1990 e 2000 para 10,9 milhões de hectares entre 2015 e 2025, mas continua expressivo. As florestas tropicais respondem por cerca de 45% da área florestal global e 88% do desmatamento registrado entre 1990 e 2025.
O documento aponta o financiamento como uma das lacunas de implementação. Conforme o PNUMA, o financiamento florestal anual precisa passar de US$ 84,5 bilhões em 2023 para mais de US$ 300 bilhões até 2030. Orçamentos públicos nacionais responderam por 88,3% do financiamento em 2023, e o financiamento público internacional, por 3,4%.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que os mapas representam um legado da presidência brasileira. “O Brasil está dando um passo que deixa um legado”, disse. O representante residente do PNUD no Brasil, Claudio Providas, destacou a contribuição do país ao multilateralismo.

