A produção industrial brasileira caiu 0,8% em setembro na comparação com agosto, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o segundo mês consecutivo de retração e um resultado pior do que a expectativa de analistas consultados pela Reuters, que projetavam queda de 0,2%.
Na comparação com setembro do ano anterior, o recuo foi de 2,5%, também mais intenso do que a projeção de queda de 1,7%. Segundo o IBGE, o setor industrial apresenta comportamento predominantemente negativo desde maio deste ano, com exceção de julho, quando a produção ficou estável.
Setor perde dinamismo
De acordo com a fonte, a indústria vem mostrando perda de dinamismo em linha com o arrefecimento da economia no segundo semestre. A política monetária ainda restritiva pesa sobre o setor, apesar de um mercado de trabalho resiliente.
Na véspera da divulgação dos dados, o Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano. A autoridade monetária, prevendo inflação mais alta nos próximos anos, deixou em aberto o que fará à frente, citando ampliação das incertezas e um cenário desafiador para a política monetária.
Desempenho por setor
Entre as atividades, as principais influências negativas em setembro vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-4,2%) e de produtos alimentícios (-1,7%). Do lado positivo, as indústrias extrativas cresceram 1,7%, interrompendo quatro meses consecutivos de perdas.
Nas grandes categorias econômicas, a produção de bens de capital caiu 1,9%. Os bens de consumo semi e não duráveis recuaram 1,2%, e os bens intermediários tiveram queda de 0,7%. Os bens de consumo duráveis registraram alta de 0,7%.

