Os chamados “óculos para galinhas” existem e são usados em algumas criações de aves, mas não para melhorar a visão dos animais. Segundo o zootecnista Aécio Prado, da Emater-DF, o acessório funciona como um protetor anti-bicada: limita o campo de visão frontal das aves para tentar evitar comportamentos como bicadas, brigas, quebra de ovos e canibalismo.

O canibalismo, explica o especialista, ocorre quando uma ave bica e fere outra, o que pode provocar lesões e, em situações mais graves, levar o animal à morte.

Uso exige manejo individual

A colocação do equipamento requer que cada animal seja capturado e manejado separadamente. Como o bico das aves é resistente e está em constante movimento, elas podem se adaptar ao acessório ou até retirá-lo, afirma Prado.

O zootecnista ressalta que o uso não é considerado uma prática ideal do ponto de vista do bem-estar animal, porque pode causar desconforto. Por isso, os óculos costumam ser empregados apenas em situações específicas, como na introdução de um novo reprodutor em um plantel de aves de maior valor comercial, com o objetivo de reduzir as brigas durante o período de adaptação.

Custo baixo, operação difícil

Cada protetor custa, em média, R$ 2. Apesar do valor unitário baixo, o uso pode ser inviável em granjas comerciais, que chegam a reunir milhares de aves. Além do custo, há uma dificuldade operacional: seria necessário pegar cada animal individualmente para instalar e conferir o acessório.

“Em plantéis grandes, o manejo fica muito difícil, porque é preciso pegar uma ave por vez e colocar o equipamento. Além disso, ele pode se soltar”, afirma o zootecnista.

Debicagem segue em uso, com restrições

Em criações maiores, uma das práticas usadas para evitar ferimentos provocados por bicadas é a debicagem, procedimento que consiste na retirada de uma parte do bico da ave durante as primeiras semanas de vida. Segundo Prado, o método deve ser realizado apenas por profissionais capacitados e no período adequado.

Ainda assim, a prática é questionada por causa dos impactos que pode provocar sobre o bem-estar dos animais. Por esse motivo, alguns produtores têm deixado de adotar o procedimento e buscado outras formas de reduzir a agressividade, como melhorias no espaço, na alimentação e no manejo das aves.

Os óculos, portanto, existem, mas estão longe de ser um acessório comum. Seu uso é pontual e depende das características da criação, do comportamento dos animais e da avaliação dos impactos sobre o bem-estar das galinhas, segundo a reportagem.