O Banco da Inglaterra elevou sua taxa de juros de 3,75% para 4% nesta quinta-feira, o primeiro aumento em mais de três anos, e sinalizou que pelo menos mais uma alta é provável caso o conflito entre Estados Unidos e Irã continue. A decisão foi tomada pelo Comitê de Política Monetária por 8 votos a 1.

Segundo a instituição, a inflação britânica deve atingir cerca de 5% em meados do próximo ano, mais do que o dobro da meta do banco central. O banco projeta pico médio de 4,8% no segundo trimestre do próximo ano e, em um cenário mais adverso, com o petróleo chegando a cerca de US$ 130 o barril, a inflação alcançaria 6,2% no terceiro trimestre de 2027.

No cenário central, a inflação não deve retornar a 2% antes do terceiro trimestre de 2028, seis meses mais tarde do que a projeção anterior, elaborada em julho durante uma trégua no conflito entre EUA e Irã que havia reduzido os custos de energia.

O presidente do banco central, Andrew Bailey, afirmou que o aumento não deve ser interpretado como o início de uma sequência inevitável e longa de altas. "Mas, a menos que o conflito no Oriente Médio seja resolvido, também não parece provável que seja o último aumento", declarou.

A única dissidência no comitê veio de Catherine Mann, que votou por uma alta maior, para 4,25%. Segundo a fonte, a expectativa de uma pesquisa da Reuters era de que a dissidência viesse de um membro favorável à manutenção dos juros.

O Banco da Inglaterra revisou para cima suas expectativas de crescimento para este ano e o próximo, para 1,6% e 1,3%. A revisão segue dados oficiais fortes deste ano, e o banco atribuiu parte dessa força aos gastos com inteligência artificial e a um pequeno impulso temporário proveniente do orçamento anual apresentado pelo ministro das Finanças, John Healey, na semana passada.

De acordo com a fonte, o banco afirmou haver poucos indícios até o momento de inflação mais acelerada fora dos setores diretamente afetados pelos custos mais altos de energia, mas a pressão inflacionária resultante de meses de preços elevados da energia exigiu o aumento dos juros neste momento.