O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (3) que ainda não tratou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de uma eventual mudança no comando da pasta para o próximo mandato. A declaração foi dada em entrevista coletiva na sede do ministério, segundo o SBT News.

Questionado sobre a sucessão na Fazenda, Durigan disse que o tema é uma decisão de competência do presidente e que tem apresentado propostas e diagnósticos ao governo. Ele também afirmou que faz críticas a algumas propostas que classificou como fáceis e que reforça a trajetória em que acredita.

Medidas econômicas do próximo mandato

Segundo o ministro, as discussões sobre as medidas econômicas para o próximo mandato ainda não foram concluídas e Lula precisará avaliar os cenários antes de tomar decisões. Durigan declarou que o governo pretende promover um ajuste fiscal gradual que preserve os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral, sem estabelecer, por enquanto, uma data para o anúncio das medidas.

Especulações sobre André Lara Resende

Durigan voltou a dizer que Lula não tem reuniões agendadas com outros economistas, em meio às especulações sobre uma possível participação de André Lara Resende nas discussões sobre os rumos da política econômica. Segundo o ministro, a agenda do presidente tem sido com ele e, nesses encontros, não se trata de nada que justifique uma posição de medo por parte do mercado.

Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, em 1994, passou a defender nos últimos anos posições divergentes das de antigos colegas e da corrente predominante entre os economistas do mercado financeiro, especialmente sobre a política de juros e o equilíbrio das contas públicas. Para ele, os juros elevados são o principal fator de crescimento da dívida pública brasileira, e não os gastos primários do governo. Em proposta recente, defendeu reduzir a taxa Selic dos atuais 13,75% para 7,5% ao ano em um período de 12 meses, além de criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, responsável por estabelecer metas conjuntas para as políticas fiscal e monetária.