Clientes da Binance retiraram US$ 3,64 bilhões (cerca de R$ 19,8 bilhões) a mais do que depositaram na plataforma ao longo de cerca de nove horas e meia no domingo, quando a corretora retomou parcialmente os saques, segundo informações publicadas pelo g1. A movimentação ocorreu após um ataque hacker que, de acordo com o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, foi atribuído à Coreia do Norte.
De acordo com a corretora, o valor líquido retirado representou 2,1% dos ativos mantidos na plataforma, percentual que analistas ouvidos na reportagem consideraram relativamente baixo. A Binance afirmou que registrou cerca de US$ 4,6 bilhões em retiradas e US$ 1 bilhão em depósitos no domingo e que, após um pico inicial, os volumes de saída diminuíram e estão se estabilizando.
Prejuízo e cobertura
O roubo foi de US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34,2 bilhões) em criptomoedas, segundo a reportagem, que o descreve como possivelmente o maior roubo financeiro da história. A Binance informou que está cobrindo os prejuízos e que já reuniu US$ 6 bilhões para compensar as perdas, com recursos vindos do caixa da empresa, de um fundo de seguro e de uma reserva destinada a incidentes de segurança.
Segundo a corretora, a plataforma tem mais de 335 milhões de usuários no mundo e movimenta, em média, US$ 95 bilhões por dia em negociações de ativos digitais e contratos financeiros ligados a esses ativos.
Confiança dos investidores
A reportagem afirma que o ataque ainda não provocou perda generalizada de confiança entre os investidores, mas deve aumentar a cautela dos grandes investidores e reforçar preocupações com a segurança do mercado de ativos digitais, segundo analistas.
“Isso ainda não provocou pânico generalizado nem uma retirada maciça e concentrada”, afirmou Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, empresa de serviços financeiros voltada a ativos digitais com sede em Hong Kong.
Investidores ouvidos pela Reuters disseram que pretendem manter suas contas na Binance apesar do ataque. “Eu não retiraria necessariamente tudo da Binance, porque as corretoras centralizadas continuam desempenhando um papel importante na liquidez, nas negociações e no acesso ao mercado”, afirmou Jay Koh, vice-presidente da Asia Web3 AI Association, organização sediada em Cingapura que promove o desenvolvimento da tecnologia blockchain.
O cliente Ryan Tan também disse não ter pressa para retirar recursos. Segundo ele, o saldo mantido na plataforma já era relativamente baixo desde a quebra da FTX, outra corretora de criptomoedas, há quatro anos. “Após o colapso da FTX, decidi manter tudo na minha carteira, em vez de deixar os fundos nas corretoras”, afirmou o investidor de 39 anos.
Mercado e saques
Depois de atingir o menor valor em seis semanas na sexta-feira, o bitcoin se recuperou ao longo do fim de semana e voltou a ser negociado acima de US$ 78 mil nesta segunda-feira, segundo a reportagem. O ether também registrou recuperação após atingir sua menor cotação em dois meses.
O valor total de mercado das stablecoins, criptomoedas geralmente vinculadas a moedas tradicionais como o dólar, caiu desde sexta-feira (30). Conforme a reportagem, o movimento pode indicar que parte dos investidores está retirando recursos do mercado de criptomoedas e migrando para dinheiro ou investimentos tradicionais.
A Binance informou que retomou os saques de bitcoin pela própria rede da criptomoeda, além de ether e algumas stablecoins vinculadas ao dólar pela rede Ethereum. Ainda assim, o site da corretora indicava restrições às retiradas da maioria das criptomoedas.

