As ações da Porto (PSSA3) operavam em queda nesta quinta-feira (5), enquanto o mercado avaliava o balanço do terceiro trimestre de 2026. Por volta das 12h05, os papéis recuavam 2,09%, a R$ 43,95, segundo o Money Times.
Entre julho e setembro, a companhia registrou lucro líquido de R$ 839 milhões, alta de 1% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro líquido recorrente somou R$ 713 milhões, recuo de 14% na comparação anual. As receitas totais alcançaram R$ 11 bilhões, crescimento de 10% em um ano.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 20,7%, queda de 2,3 pontos percentuais na base anual. O indicador recorrente foi de 17,6%, 5,3 pontos percentuais abaixo do registrado um ano antes.
De acordo com a companhia, a diversificação dos negócios e a complementaridade entre as verticais contribuíram para sustentar os resultados em um cenário de crédito mais desafiador.
Porto Bank concentra pressão
O principal ponto de atenção do balanço ficou no Porto Bank. A receita da divisão cresceu 13% em um ano, para R$ 2 bilhões, mas o avanço da inadimplência exigiu aumento expressivo das provisões para perdas com crédito.
A carteira de crédito alcançou R$ 23,7 bilhões, alta de 9,2% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A carteira administrada de consórcios cresceu 28,8% na base anual, para R$ 132 bilhões.
O índice de inadimplência acima de 90 dias na carteira de 360 dias subiu para 10,2%, ante 9,4% no trimestre anterior e 7,2% um ano antes. As despesas com provisões para perdas de crédito somaram R$ 843 milhões no trimestre, salto de 48% em relação ao mesmo período do ano passado. Esses recursos são separados pela instituição para cobrir possíveis calotes.
A Porto atribuiu a pressão a um ciclo de crédito mais adverso e à adoção de postura mais conservadora na gestão de risco. No trimestre, o banco apertou os critérios de concessão, reforçou estratégias de cobrança e direcionou o crescimento para produtos com garantias mais robustas e perdas consideradas mais previsíveis.
Segundo a companhia, as iniciativas para melhorar a qualidade da carteira já começam a aparecer nos indicadores. Ainda assim, a administração afirmou manter cautela diante do cenário macroeconômico.
O lucro líquido do Porto Bank recuou 13% na comparação anual, para R$ 170,7 milhões, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caiu 5,8 pontos percentuais, para 20,3%. A eficiência operacional melhorou 3,3 pontos percentuais, para 27,4%.
Seguros e saúde
Na divisão de seguros, as receitas totais somaram R$ 6,2 bilhões, avanço de 9,4% na comparação anual. O crescimento veio acompanhado de piora na sinistralidade, que subiu 0,9 ponto percentual, para 59,1%.
Na vertical de saúde, as receitas avançaram impulsionadas pela expansão da base de beneficiários dos planos de Saúde e Odonto. Ainda assim, o lucro da unidade caiu 34% em um ano, para R$ 84 milhões.
A divisão de serviços segue em processo de estruturação e ampliação de parcerias estratégicas, segundo a companhia, em estratégia para diversificar os ramos de atuação e ampliar a oferta de serviços.
Na avaliação da Porto, o crescimento das receitas, a expansão dos negócios e os ganhos de eficiência mostram que a operação mantém fundamentos sólidos, apesar do impacto da deterioração do crédito sobre a rentabilidade.

