O Safra rebaixou a recomendação das units da Klabin (KLBN11) de compra (outperform) para neutra, segundo relatório citado pelo Money Times. O banco também reduziu o preço-alvo dos papéis de R$ 21,40 para R$ 20,60 até o final de 2027.

Considerando a cotação de R$ 18,08 usada no relatório, o novo preço-alvo representa potencial de valorização de 14%. Com dividendos incluídos, o retorno total estimado (TSR) é de 21%.

Motivos do rebaixamento

Os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro afirmam que a melhora esperada nos preços da celulose e a desvalorização do real não são suficientes para compensar fundamentos mais fracos no mercado de papel, a normalização mais lenta dos custos e o aumento do custo de capital próprio.

O Safra mantém visão construtiva para os preços da celulose no curto prazo, apoiada pela recomposição de estoques na China, menor disponibilidade do produto e maior disciplina dos produtores. Para o kraftliner — papel usado na fabricação de embalagens —, o banco avalia que pode haver espaço limitado para novos reajustes de preços.

Demanda doméstica

A demanda doméstica também preocupa. A projeção da Empapel de crescimento de 1,9% nos embarques em 2026 implica avanço de apenas 0,9% no segundo semestre, ante 3% na primeira metade do ano. Na avaliação do Safra, o cenário reduz a visibilidade de uma recuperação significativa dos volumes em 2027.

Custos e geração de caixa

O custo-caixa consolidado da Klabin chegou a R$ 3.483 por tonelada no terceiro trimestre de 2026, enquanto o indicador acumulado nos nove primeiros meses do ano permaneceu próximo do limite superior da faixa de projeções (guidance) da companhia.

O Safra espera que as pressões atuais persistam até o primeiro trimestre de 2027, com início de redução apenas a partir do segundo trimestre. A normalização completa dos custos relacionados ao El Niño deve ocorrer somente no primeiro trimestre de 2028.

Os analistas consideram ainda que parte das pressões geopolíticas sobre a logística de fibras, produtos químicos e óleo combustível não será revertida. Os custos operacionais mais elevados decorrentes da dispersão geográfica das operações florestais também são tratados como permanentes nas projeções.

Com isso, o banco estima EBITDA de R$ 7,7 bilhões em 2027, em linha com o consenso do mercado, e retorno médio do fluxo de caixa livre (FCF yield) de aproximadamente 5% entre 2027 e 2029. A relação entre dívida líquida e EBITDA deve recuar gradualmente de 3,6 vezes em 2026 para 2,9 vezes em 2029.

Ainda assim, na avaliação do Safra, a combinação de geração de caixa limitada e desalavancagem gradual não oferece uma relação risco-retorno suficientemente atrativa em comparação com outras empresas do setor.